Um estudo revela que as dietas praticadas no mediterrâneo não favorecem a todos

A dieta mediterrânea pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares, mas apenas as pessoas com maiores rendimentos ou mais educação, ou uma combinação dos dois, experimentaram esse benefício, revela um estudo publicado no International Journal of Epidemiology.

A dieta mediterrânea enfatiza a ingestão de alimentos à base de plantas, incluindo vegetais, nozes, frutas e grãos integrais, além de peixes e aves. A dieta também recomenda que você limite a carne vermelha, substitua a manteiga com azeite e pratique exercícios físicos. O vinho tinto com moderação é opcional na dieta, que a pesquisa científica passada prova ser saudável para o coração.

Marialaura Bonaccio, autora principal do novo estudo e pesquisadora do IRCCS – Instituto Neurológico Mediterrâneo Neuromed, um Instituto Italiano de Pesquisa Clínica, disse em um e-mail que esse mesmo problema – no qual pessoas de diferentes níveis de renda obtêm resultados diferentes da mesma dieta, também pode ser verdade para outras dietas.

Bonaccio e outros colaboradores do estudo recrutaram aleatoriamente mais de 18 mil pessoas que vivem na região de Molise, no Sul da Itália, entre março de 2005 e abril de 2010. A Fundação Pfizer, que ajudou a financiar os custos do estudo, não influenciou a análise ou interpretação dos resultados, observou Bonaccio.

Ela e sua equipe calcularam a atividade física total, índice de massa corporal (IMC), status de tabagismo e histórico de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes e câncer. Os dados disponíveis para cada participante também incluíram educação, renda familiar e estado civil.

Usando o “Mediterranean Diet Score”, Bonaccio e seus colegas avaliaram a ingestão de alimentos dos participantes, examinando a variedade de frutas e vegetais, carne e peixe consumidos. Eles marcaram os métodos de cozimento dos participantes, detalhando se eles estão usando métodos saudáveis, como fervura e cozimento ou métodos menos saudáveis, como fritar. Os vegetais foram classificados como orgânicos ou não, pão com grão integral ou não.

Durante um período de seguimento médio de cerca de quatro anos, os participantes tiveram um total de 5,256 eventos de doenças cardiovasculares, incluindo incidentes de insuficiência cardíaca, diagnósticos de doença cardíaca coronária (acúmulo de placa nas artérias) e derrames.

Analisando os dados, os pesquisadores descobriram que uma dieta mediterrânea efetivamente reduziu o risco de doença cardiovascular, mas apenas entre um seleto grupo de participantes: aqueles com maior renda ou mais educação.

“Descobrimos que as vantagens cardíacas eram limitadas a grupos de status socioeconômico elevados, mesmo que os grupos apresentassem a mesma adesão à dieta mediterrânea”, escreveu Bonaccio. Não houve benefícios para participantes do grupo de baixa renda e baixa educação.

“Por exemplo, em comparação com pessoas menos favorecidas, pessoas com status socioeconômico elevado tendem a consumir peixes com mais frequência”, escreveu Bonaccio. Ela acrescentou que, além da aderência à dieta, os participantes da categoria mais favorecida relataram uma dieta de maior qualidade, que incluiu maior consumo de produtos orgânicos e alimentos integrais.