Brasil lidera ranking de ativistas mortos nos últimos cinco anos

O número de pessoas assassinadas, que defendiam o meio ambiente no mundo em 2016, aumentou. O Brasil, mais uma vez, lidera esse quadro de violência com 49 pessoas mortas no período. Esses dados foram fornecidos pela organização Global Witness, e mostra que o Brasil, é o país mais perigoso para aqueles que lutam pela proteção do meio ambiente, e pelos direitos relacionados à terra. Em todo o planeta, em 2016, duzentos ativistas da causa de proteção ao meio ambiente, foram mortos.

Billy Kyte, da organização inglesa, declara que eles acreditam que os números podem ser maiores, já que nem sempre as causas das mortes, chegam ao conhecimento do público.

Esses dados são levantados pela Global Witness desde o ano de 2002, e nos últimos cinco anos, o Brasil lidera esse ranking.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), que foi criada em 1975 e era no princípio ligada à Igreja Católica, acredita que o aumento da fronteira agrícola, seja a causa desses dados tristes do nosso país, e que os estados com os maiores índices de violência de 2016, foram o Pará, Maranhão e Rondônia.

Thiago Valentin, da secretaria nacional da CPT, afirmou que além do avanço do agronegócio, as construções de grandes barragens, hidrelétricas e ferrovias, também contribuem para o aumento dessa violência. Esses problemas já existem há muito tempo, sempre se repetindo quando a exploração de forasteiros, acontece sobre os moradores locais.

A CPT, juntamente com a Global Witness, registra as mortes de líderes comunitários, sem-terras, posseiros, indígenas, trabalhadores rurais e quilombolas. No ano passado, o órgão registrou um total de 61 assassinatos, ainda mais do que os números da ONG.

Em pesquisas feitas, o setor do agronegócio irá necessitar nos próximos dez anos, de uma área no total de 15 milhões de hectares para a sua expansão, necessitando assim, de terras que já possuem donos, podendo causar ainda mais violência.

Billy Kyte ainda declara, que no Brasil o lobby do setor do  agronegócio  é muito intenso, e o governo ainda está apresentando um retrocesso em relação a proteção das leis ambientais, causando mais violência com essas medidas.

Em lugares onde a paz estava sendo negociada, como na Colômbia, o ano de 2016 foi o mais violento de todos os tempos para os ativistas. Lugares onde se localizavam os movimentos armados, hoje são alvos das companhias extrativistas, e as pessoas que voltam para os seus territórios, estão sofrendo ataques.

As mortes estão sendo causadas graças aos governos, investidores, empresas e pelas parcerias bilaterais, reforça a Global Witness, e os assassinos precisam ser punidos.