Dados mostram que o consumo desenfreado tem ligação direta com a depressão

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O inverno começa na terceira semana de junho de 2017, mas aqui pelo Sudeste o frio já chegou e a nova estação traz mudanças de comportamento. Uma pesquisa virtual indica que nessa época aumenta o consumo de roupas e também os momentos de tristeza e solidão. Por isso precisamos ficar atentos para a saída mais fácil e perigosa que é consumir para tentar se sentir mais feliz.

É só a temperatura cair e a dona de casa Clara Fernandes, vai as compras. “Comprei quatro casacos, comprei bastante blusinha de lã.” O ato de comprar parece ter efeito direto sobre o humor.

“Aquele tempo nublado parece que fica ensolarado quando saio para comprar”, diz química, Marilda Talarico. O Google, maior site de buscas fez uma pesquisa sobre os hábitos dos brasileiros durante o frio. A procura por compra sobe 10%. Já a buscas por palavras como depressão e solidão crescem 23%.

Segundo a psicóloga Triana Portal, o tempo frio desencadeia comportamentos que favorecem introspecção. “No inverno as pessoas tendem a ficar mais tristes. Elas ficam mais tristes e se sentem sozinhas.”

Quem já tem um estado emocional frágil fica mais propenso a cair na armadilha do consumo como forma de compensação. “As vezes a gente preenche vazios com compras. Então assim, quando a pessoa tem uma carência ela tenta compensar, com um produto, com uma comida, com alguma coisa que ela sente que naquele momento vai suprir aquela necessidade emocional”, afirma Triana.

Dicas simples que ajudam a fugir desse círculo vicioso que pode levar ao endividamento e a depressão. “Você olha para o produto e pensa: eu realmente preciso desse produto?. Não compre naquele momento, vai para casa. Trazer as pessoas para perto de si, de curtir a sua casa, de curtir a família, os amigos”, reforça Triana.

Existem casos mais extremos onde as pessoas acabam se endividando devido ao fator psicológico de terem que comprar independente desta época do ano. Segundo a psicóloga Tatiana Filomensky, existe uma estimativa de que mais de 5% da população sofre de impulsos compulsivos de comprar produtos de modo geral sem necessidade. As mulheres são a grande maioria neste número.

“Comprar gera um alívio para a angustia e ajuda a conter os males da depressão”, afirma Tatiana. “O problema é que, para a pessoa, isso é muito mais. Ela vai em busca dessa satisfação com uma frequência muito maior, porque não consegue atingir essa satisfação de outra maneira. A solução para as sensações desagradáveis, negativas e frustrações está nas compras. Muitos dizem que compram para preencher um vazio.”

“São pessoas que acabam sendo mais suscetíveis aos estímulos de comprar em busca dessa aquisição excessiva, como forma de mostrar as suas características individuais, valorizando o seu eu.”

 

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