Presidente do BC, Ilan Goldfajn, afirma que Reforma da Previdência pode reduzir a taxa de juros – Confira com Marcio Alaor do BMG

“O Brasil é um dos poucos países do mundo com uma agenda de reformas intensa. Isso reduz a perspectiva de risco. Será importante para a sustentabilidade da inflação e a queda da taxa de juros estrutural da economia”. A frase sobre a reforma previdenciária foi dita pelo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em um evento do dia 18 de abril em São Paulo. Segundo ele, a Reforma é fundamental para o bom desempenho da economia brasileira à frente e pode levar à queda da taxa básica de juros no Brasil. Quem reporta o assunto é o é o vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor.

Ilan Goldfajn afirma que o trabalho do Banco Central tem sido efetivo para combater a inflação. Marcio Alaor aponta que, de acordo com o presidente do BC, a taxa ficou em 10,7% em dezembro e caiu para 4,6% em março – o que Goldfajn chamou de “queda relevante”. Ainda conforme Ilan Goldfajn, as perspectivas de inflação do próprio mercado, por meio do Boletim Focus, encontram-se em torno de 4,1% para 2017 e de 4,4% para 2018 – 4,25% é o percentual para os outros anos. Já o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) estima 4,1% para 2017 e 4,5% para 2018.

Para o presidente do Banco Central, haverá uma evolução favorável no cenário da inflação. “Em 2017, a taxa acumulada em 12 meses deve permanecer abaixo da meta”, afirma Ilan Goldfajn. O vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor, sobressai que, levando em conta essa perspectiva, segundo Goldfajn, a taxa de juros cai para 8,5% em 2017.

Ilan Goldfajn ainda faz outras previsões destaca o vice-presidente do Banco BMG. O presidente do BC estima que, no terceiro trimestre do ano, a inflação chegará ao seu nível mais baixo. Contudo, voltará a ter força nos últimos meses de 2017 – ainda assim mantendo a previsão de terminar o ano abaixo do centro da meta do governo de 4,5%.

Quanto à taxa de juros real

O presidente do Banco Central salienta que as taxas de juros reais – que são os juros nominais menos a inflação, reporta Marcio Alaor, do BMG – também estão em queda no país. “Quando você olha uma taxa de juros pré-fixada em 12 meses, quando o governo financia em 12 meses, é uma taxa que hoje quando desconta a inflação chegou a alcançar, em setembro de 2015, 9%. A situação acalmou e ao longo de 2016 a taxa de jutos real caiu para 7%”, ilustra Goldfajn, que ainda acrescenta – “Os juros [reais] na economia estão hoje entre 4,5% a 5,3%”. Segundo ele, para patamares históricos, esse é um patamar baixo.

Ilan Goldfajn ainda enfatiza que é possível fazer mais, porém, “dependerá de avanços que levem à redução da taxa de juros estrutural da economia”. O vice-presidente do Banco BMG, Marcio Alaor reforça que, segundo o que aponta o presidente do BC, dependerá de eficiência, produtividade, reformas, perspetiva da política fiscal e qualidade das políticas econômicas. “Tudo isso vai nos ajudar a reduzir essa taxa estrutural, notadamente a reforma da previdência”, conclui Goldfajn.