Efeito Conde Drácula: Morcegos no Brasil começam a se alimentar de sangue humano

pode estar mudando os hábitos alimentares.

A revista científica Acta Chiropterologica, pioneira em publicar estudos voltados à pesquisas de morcegos, publicou em novembro de 2016 um estudo feito por cientistas brasileiros que analisaram 70 amostras de fezes do morcego-vampiro-de-pernas-peludas (Diphylla ecaudata), e as descobertas foram um tanto peculiares: De 15 amostras de DNA dos morcegos em questão, 3 delas haviam vestígios de sangue humano.

Dentre as espécies de morcegos conhecidos por ingerir sangue de mamíferos, estão o morcego-vampiro-comum (Desmodus rotundus), o morcego-vampiro-de-asas-brancas (Diaemus youngi) e o morcego-vampiro-de-pernas-peludas (Diphylla ecaudata).

Porém, não é comum esse gênero de morcegos atacarem os seres-humanos para extrair seu sangue. O morcego-vampiro-comum por exemplo, se alimenta de animais grandes como cavalos, bois e vacas. No caso do morcego-vampiro-de-asas-brancas e o morcego-vampiro-de-pernas-peludas, ambos se alimentam de animais de pequeno porte, como galinhas e aves silvestres. Os morcegos vampiros alimentam-se exclusivamente de sangue, por isso não conseguem sobreviver mais de 3 dias sem consumir o líquido.

Com as mudanças climáticas e alterações no meio ambiente porém, esse quadro pode estar começando a mudar. A falta de presas pode ser um dos fatores para a mudança dos hábitos alimentares de diversas espécies.

Enrico Bernard, especialista no setor de Zoologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), conduziu as pesquisas no Recife, Pernambuco. Em entrevista para BBC Brasil ele ressaltou que, até então, apenas uma espécie do morcego hematófago se alimentava de sangue proveniente dos seres humanos,porém agora, o morcego da espécie Diphylla ecaudata também passou a aderir em sua dieta o sangue humano.

Ainda sobre as possíveis causas da mudança do cardápio da espécie em questão, Bernard explicou que houve uma alteração significativa na cidade nordestina onde os morcegos analisados habitam. Devido a ocupação humana em partes onde havia a concentração de suas presas, sua alimentação se tornou escassa.

Outro agravante na aparente mudança no menu do morcego, é em relação ao risco para a saúde pública caso a tendência se espalhe.

As doenças transmitidas pelo morcego variam desde a raiva, que pode ser potencialmente fatal, como a histoplasmose (doença respiratória causada por um fungo por vezes encontrado em fezes de morcego), Salmonelose (Doença infecciosa do gênero Salmonella, também encontrada nas fezes do animal) Parasitas(Utilizando-se dos morcegos como hospedeiros)e assim por diante.

Os morcegos no entanto, tem um papel importante no ecossistema, e sua extinção poderia causar um desiquilíbrio no meio ambiente. Eles são um dos maiores responsáveis pelo controle populacional de insetos, além de polinização e dispersão de sementes. Apesar do risco em potencial, a pesquisa em relação a mudança na dieta do morcego-vampiro-de-pernas-peludas continua em andamento, para um diagnóstico mais preciso em relação a causa e efeito da possível transição de cardápio desses animais hematófagos.

Fonte